Gears of War: E-Day é o melhor avaliado da série em muito tempo, mas as vendas estimadas não acompanham as notas. Segundo a Alinea Analytics, o jogo vendeu cerca de 230 mil cópias na primeira semana, enquanto 1,7 milhão de pessoas jogaram pelo Game Pass. Os números são estimativas de um analista e a Microsoft não os confirmou, de acordo com Kotaku, Eurogamer, Polygon e GamesRadar.

A leitura de que o título "vendeu pouco" tem ressalvas, e as próprias fontes apontam isso. O jogo está no Game Pass desde o primeiro dia, e uma parte relevante do dinheiro veio de quem pagou para jogar antes.

Os números da Alinea

O analista Rhys Elliott, da Alinea, publicou as estimativas no X em 9 de outubro, uma semana depois do início do acesso antecipado. Os valores citados pelos quatro veículos são estes:

  • 230 mil cópias vendidas no total.
  • 168 mil delas na Steam e 62 mil no Xbox, somando console e PC da loja da Microsoft.
  • 1,7 milhão de jogadores acessando o jogo pelo Game Pass.
  • 722 mil desses assinantes pagaram 30 dólares pela atualização para a Premium Edition e jogaram cinco dias antes.
  • Receita estimada de cerca de 37 milhões de dólares, com 26 milhões vindos de jogadores do Xbox.

A GamesRadar destaca a frase do próprio Elliott de que "230 mil cópias" subestima o público pagante: contando as 722 mil atualizações, quase 950 mil pessoas pagaram algo por E-Day. A publicação também nota que as estimativas do SteamDB, sempre falíveis logo após o lançamento, apontam entre 171 mil e 195 mil donos na Steam, o que se aproxima do número da Alinea.

O argumento do analista

Elliott afirma que o Game Pass "canibaliza" boa parte da receita premium do jogo. Em uma frase citada por todos, ele diz que, sem o Game Pass no primeiro dia, muita gente teria comprado o jogo a 70 dólares, mas pagou 30 por cinco dias de acesso antecipado a algo que não possui. Para ele, o Xbox cobra o menos de seus clientes mais valiosos.

O Kotaku acrescenta que o analista vê um problema de modelo de negócio, e que a conclusão lógica seria a Microsoft tirar lançamentos próprios do serviço no primeiro dia, como já fez neste ano com Call of Duty. A Eurogamer lembra que a CEO Asha Sharma já parou de colocar novos Call of Duty no Game Pass desde o lançamento. Isso é uma avaliação do analista e dos veículos, não um plano anunciado.

O outro lado

A GamesRadar cita o analista Mat Piscatella, da Circana, que escreveu que não é canibalização quando alguém que paga o Game Pass joga um título oferecido pelo serviço. Segundo ele, nem todo jogador de assinatura compraria o jogo se ele não estivesse lá. A matéria diz que não dá para saber quantos pagariam o preço cheio, mas certamente não seriam todos, e que também não dá para medir quantas assinaturas foram feitas por causa de E-Day.

A GamesRadar informou ter pedido um comentário à Microsoft sobre os números e as expectativas para o jogo. Até a publicação das fontes, não havia resposta.

A recepção da crítica

O Polygon diz que o jogo tem 88 no Metacritic e 87 no OpenCritic, o que o torna o título mais bem avaliado da franquia em mais de uma década. A IGN deu 9 de 10 provisório à campanha, e o ScreenRant também deu 9. O PC Gamer criticou os encontros repetitivos e a campanha de mais de 20 horas, e a análise em andamento da GameSpot reclamou da relutância em sair das convenções da série.

O Polygon lembra que os críticos avaliaram inicialmente só a campanha, sem acesso ao Horde Siege e ao multiplayer, então as notas ainda podem mudar. A Eurogamer descreve o jogo como conservador por natureza, mas com proficiência técnica suficiente para as ideias antigas parecerem competentes.

Quem está jogando

A Eurogamer traz dados de sobreposição de público do mesmo relatório. No Xbox, mais de 80% dos jogadores de E-Day já tinham jogado outro Gears, Call of Duty, Fortnite, GTA 5 e Halo Infinite. Na Steam, 72% vêm de Counter-Strike e 65% de Helldivers 2, o que a publicação liga à semelhança do modo Horde Siege com o jogo da Arrowhead.

O que isso muda para o estúdio

O Kotaku e a Eurogamer lembram que a The Coalition, estúdio do jogo, vive um momento de preocupação com cortes. Segundo a Eurogamer, várias pessoas da equipe disseram temer demissões depois do lançamento. O diretor do estúdio, Mike Crump, afirmou que E-Day é uma "ótima base" para sequências e que o próximo Gears não deve demorar tanto quanto o intervalo de sete anos entre os jogos.

A GamesRadar lembra ainda que a Microsoft guardou na gaveta uma versão para PS5 quase pronta, para priorizar o Xbox, mesmo que isso reduza o público. Tudo isso entra na conta de quem tenta entender se as vendas são boas ou ruins, mas só a Microsoft tem os números reais.

O que ainda não se sabe

  • Os números oficiais de vendas e de jogadores, que só a Microsoft pode confirmar.
  • Quantos assinantes teriam comprado o jogo sem o Game Pass.
  • Se o Gears seguirá no Game Pass no primeiro dia em lançamentos futuros.