Sete anos entre Gears 5 e Gears of War: E-Day é muito tempo, e o chefe do estúdio sabe disso. Em entrevista à BBC, Mike Crump, que comanda a The Coalition, prometeu que o próximo jogo da série "não vai levar nem de longe tanto tempo". Sobre o futuro dos funcionários, porém, ele preferiu não se comprometer.

A pergunta veio de uma reportagem da Eurogamer. Segundo o site, boa parte da equipe teme demissões logo depois do lançamento, e parte dos desenvolvedores também se preocupa em perder um bônus atrelado à nota do jogo no Metacritic. Hoje o título tem 87, de acordo com a VGC.

O que Crump respondeu

Questionado sobre os cortes, o executivo disse que o foco é no que o time controla: entregar um jogo que as pessoas vão amar. Na avaliação dele, a equipe já cumpriu essa parte. Ele não deu detalhes sobre o futuro imediato do estúdio e não confirmou nem descartou novas demissões.

Crump também elogiou a estabilidade da liderança. Para ele, o grupo de comando trabalha junto há cerca de 20 anos, o que garante continuidade de conhecimento. O Kotaku leu a declaração como uma tentativa de convencer a cúpula do Xbox a não mexer num time experiente.

O contexto: um Xbox em reorganização

A conversa acontece no meio da reestruturação comandada pela CEO Asha Sharma. A IGN conta que quase 2 mil pessoas já foram cortadas neste ano fiscal, que estúdios foram fechados ou saíram da empresa e que a Rare passou para a Activision, enquanto a Obsidian foi para a Bethesda. A Coalition escapou da maior parte disso, segundo a IGN e a Eurogamer.

Há um porém. O Kotaku lembra que o diretor de história de E-Day, Juan Vaca, foi demitido pouco antes do lançamento antecipado do jogo. A Eurogamer ouviu fontes que descreveram o episódio como desmoralizante para a equipe.

Por que o próximo Gears deve ser mais rápido

Crump explicou que E-Day foi construído em grande parte do zero, em vez de reaproveitar o que já existia nos jogos anteriores. Por isso, na visão dele, o projeto serve de base sólida para o que vier depois e encurta o ciclo seguinte. É uma promessa, não um calendário: o estúdio não anunciou nenhum jogo novo.

A própria Microsoft disse em junho de 2024 que pretendia continuar a história da série e resolver o gancho deixado por Gears 5, mesmo tendo feito um prequel primeiro. Resta saber se a Coalition terá fôlego para isso, já que o futuro do time depende de decisões que não são dela.

Exclusivo no Xbox por escolha

Na mesma entrevista, Crump defendeu que Gears continue exclusivo do Xbox. A série, segundo ele, está ligada à marca há duas décadas. Ele disse que o estúdio mede o sucesso por mais do que vendas, e citou perguntas como se o jogo mostra o que o console consegue e se leva o hardware ao limite. A meta declarada é ser o jogo mais bonito do Xbox.

A IGN lembra que Gears of War: Reloaded chegou ao PS5 no ano passado, então a série já não é exclusiva de verdade, e que a decisão de tirar E-Day do PlayStation foi tomada pouco antes da revelação do jogo, segundo relatos. Menos plataformas, em geral, significam menos vendas.

O contraste ajuda a entender o tom da entrevista. De um lado, um jogo bem recebido: a Eurogamer e a VGC falam em boa aceitação da crítica, e a Eurogamer cita os melhores números da série no Steam. Do outro, uma empresa que corta gente mesmo quando o produto vai bem, o que deixa qualquer promessa de longo prazo dependente de decisões tomadas fora do estúdio.

Por enquanto, a Microsoft não comentou os temores dos funcionários, e o único compromisso público é o de que o próximo Gears chegará antes de sete anos.