Dan Houser, ex-vice-presidente e roteirista da Rockstar, disse que Max Payne 3 foi um fracasso e que a maior parte da culpa foi dele. A declaração foi dada à IGN, numa entrevista da série IGN30 Icons, e repercutiu no Kotaku e na GamesRadar. A conversa também tocou em Bully, outro jogo da Rockstar que teve um desenvolvimento difícil.

O que Houser disse sobre Max Payne 3

Lançado em 2012, Max Payne 3 foi bem recebido pela crítica, mas vendeu menos que outros jogos da Rockstar, segundo a IGN e o Kotaku. Diferente dos dois primeiros, feitos pela Remedy e escritos por Sam Lake, ele foi desenvolvido inteiramente pela Rockstar e escrito principalmente por Houser. O jogo também levou a série para as favelas do Brasil e adotou um estilo neo-noir mais colorido, de acordo com o Kotaku.

Houser contou que gostou da experiência de fazer um jogo linear, mais estruturado que um mundo aberto, e que achava estar criando uma experiência noir digital interessante. Mas, nas palavras dele, o consenso na época era que as pessoas odiaram. "Eu errei completamente", afirmou, segundo a IGN.

Ele disse também que conhece bem Sam Lake, criador de Max Payne, e que achou que tinham feito um bom trabalho. Houser reconheceu que alguns gostaram e muitos não, e que o jogo é bonito, mas não teve o sucesso que merecia. Para ele, boa parte da falha foi dele, por decidir e por escrever, num momento em que o público sentiu falta do texto de Lake.

O que mudou desde então

Passados 14 anos, a GamesRadar lembra que há muito o que gostar no terceiro jogo: o tiroteio é sólido, o cenário de São Paulo contrasta com Nova York e a trama é psicológica. Mas a energia é diferente da abordagem mais contida da Remedy, diz a publicação. A IGN também observa que o tom do jogo mudou bastante em relação aos anteriores.

Os remakes da Remedy

A Remedy trabalha em remakes dos dois primeiros Max Payne, reunidos num só título. Segundo o Kotaku, a Remedy desenvolve o jogo com tecnologia própria e a Rockstar o publica. A IGN lembra que o estúdio disse, há mais de um ano, que o projeto estava em "produção completa" e que a colaboração com a Rockstar seguia próxima. A GamesRadar nota que ainda não há notícia de Max Payne 4, que depende da Rockstar.

Bully quase não deu certo

Em outro trecho da entrevista, noticiado pela IGN, Houser falou de Bully, lançado em 2006. Segundo ele, o desenvolvimento foi difícil: o jogo "estava em apuros o tempo todo" e ele não tinha certeza de que ficaria bom. Só no fim a coisa se encaixou, e a equipe fez um ótimo trabalho.

  • Novidade de marca: criar uma propriedade nova é estressante, disse Houser, porque ninguém nunca fez aquilo antes.
  • Polêmica: houve histeria em torno do nome e do conteúdo, e a Rockstar passou boa parte de 2006 tentando acalmar a situação.
  • Falta de divulgação: a empresa não pôde promover o jogo como de costume, segundo ele.
  • Design: tirar carros e armas, base de GTA, deixou a equipe sem saber qual seria o jogo.

Houser contou que um dos momentos que mudaram o rumo foi um recurso em que o jogador cola um bilhete "Kick me" nas costas de um personagem, e um NPC corre para chutá-lo. Ao ver aquilo funcionar, a equipe percebeu que a escala da vida de uma criança podia ser divertida. Bully ganhou elogios da crítica, segundo a IGN, e os fãs pedem uma sequência desde então. Houser disse à IGN em 2025 que a ideia nunca avançou por falta de "capacidade" na empresa.

E GTA 6?

A IGN lembra que a Rockstar está com a agenda cheia por causa do lançamento de GTA 6, em 19 de novembro.

O que ainda falta saber

  • Se a Rockstar vai fazer Max Payne 4 ou uma sequência de Bully.
  • A data dos remakes de Max Payne 1 e 2, ainda não anunciada nas matérias consultadas.