Um em cada três estúdios de games comprados por grandes empresas desde 2000 acabou fechado, segundo uma análise do ex-funcionário de Riot, Crytek e EA Sebastian Cardoso. Pelo levantamento, metade desses fechamentos aconteceu em até cinco anos após a compra. O estudo foi publicado na newsletter Game Studio Unlocked e repercutido pelo GamesIndustry.biz e pelo Insider Gaming.

Como foi feita a análise

Segundo o GamesIndustry.biz, Cardoso passou cerca de três meses acompanhando 303 estúdios de PC e consoles adquiridos nos últimos 25 anos, e divulgou os resultados junto com o conjunto de dados completo. O Insider Gaming, que cita o TechSpot, fala em 362 estúdios, então os números de cada veículo divergem. Vale conferir a base original antes de usar qualquer percentual.

Os números principais

  • 60,8% dos estúdios tiveram queda na produção ou foram fechados, segundo o GamesIndustry.biz;
  • só um em cada quatro, ou 25,1%, ficou produzindo no mesmo nível e sem perder a estrutura, ou seja, 71 dos 283 desenvolvedores do censo;
  • pela divisão do Insider Gaming, 12,4% prosperaram, 27,3% ficaram estáveis, 26,2% declinaram e 34% fecharam.

O GamesIndustry.biz explica que Cardoso conta como declínio o estúdio que foi absorvido pelo dono ou que passou a fazer trabalho de apoio, mesmo que os jogos tenham se mantido. Sem esses casos, o índice de 60,8% cai para 51,6%.

Quem comprou faz diferença

O fator mais importante, segundo o autor, é quem compra o estúdio. No GamesIndustry.biz, todas as 17 passagens da Activision Blizzard como dona terminaram em declínio ou fechamento, assim como todas as da Disney, da Midway e da Thunderful. A EA aparece com 83%.

  • Nintendo: comprou seis estúdios em 24 anos e não fechou nenhum, segundo o GamesIndustry.biz;
  • Kadokawa, Krafton e Sumo Group também têm histórico limpo;
  • Microsoft: 63% das passagens terminaram em declínio ou fechamento;
  • Sony: 58%; Tencent: 50%; Embracer: 43%.

O Insider Gaming lista ainda a Ubisoft com 62% de estúdios fechados e a Take-Two e a Epic Games com 60%, em uma contagem de fechamentos que é diferente da do GamesIndustry.biz. Cardoso atribui a diferença a empresas que compram estúdios para alimentar uma máquina e a empresas que quiseram ter bons estúdios, segundo o GamesIndustry.biz.

Os fechamentos aceleraram

De acordo com o GamesIndustry.biz, apenas um estúdio adquirido do censo fechou entre 2019 e 2022, mas 33 fecharam desde 2023. O Insider Gaming fala em dois fechamentos no primeiro período e em 71 nos últimos 46 meses, outra diferença entre as fontes.

E os independentes?

Cardoso também acompanhou 50 estúdios independentes notáveis entre outubro de 2019 e outubro de 2026. Só 2% fecharam, contra 12,6% dos estúdios adquiridos, mas ele mesmo ressalva que o índice dos independentes se apoia em um único fechamento, segundo o GamesIndustry.biz.

Os estúdios fundados pelas próprias grandes empresas foram ainda pior: dos 56 do censo, 87,5% declinaram ou fecharam, e 18 dos 34 que fecharam nunca lançaram um jogo. A NetEase abriu oito estúdios entre 2020 e 2023, e todos os oito já foram fechados.

O tema ganha peso em uma semana em que a Arkane Lyon, da Microsoft, está sob risco de fechamento, caso que a Pixelzada acompanha em outra matéria. O levantamento não trata desse caso especificamente, mas dá contexto sobre aquisições e fechamentos no setor.

O que ainda não se sabe

  • qual é o tamanho exato da amostra, já que os veículos citam 303 e 362 estúdios;
  • como a metodologia de Cardoso se compara a outras análises do setor;
  • se a tendência de fechamentos continua nos próximos anos.

A Pixelzada acompanha o assunto e atualiza esta matéria se o autor publicar correções.