Star Wars Zero Company foi um sucesso de crítica e de vendas, e mesmo assim o estúdio que o fez quase ficou sem equipe. A Bit Reactor anunciou que começou a trazer de volta parte dos funcionários que afastou sem salário perto do lançamento. O CEO Greg Foertsch não disse quantas pessoas estão voltando.

A informação saiu numa publicação do executivo no Bluesky, citada pela IGN, pela GamesIndustry.biz, pela GamesRadar e pela VGC. Nela, Foertsch afirma que o estúdio "começou o processo de devolver mais gente ao trabalho" nesta semana, e chama o passo de importante para a continuidade do suporte ao jogo.

O que é um afastamento sem salário

O termo em inglês é furlough. A GamesRadar explica: diferente de uma demissão, em que o corte é imediato, a pessoa continua tendo vínculo com a empresa, mas fica sem salário e sem benefícios por um período. Segundo a Game File, citada pela GamesIndustry.biz, era exatamente esse o caso na Bit Reactor.

A VGC e a IGN apontam que cerca de 80% da equipe foi afastada antes do lançamento do jogo, em agosto. A Game File, segundo a GamesIndustry.biz, disse na época que sobrou uma equipe mínima para resolver os bugs do pós-lançamento. O estúdio afirma que a decisão veio de "acontecimentos inesperados fora do nosso controle" e foi tomada antes de se saber como o jogo iria.

Quantos voltaram

A empresa não divulgou números. Uma fonte ouvida pela Game File disse que mais da metade da equipe de antes dos afastamentos já voltou à folha de pagamento. Isso significa que uma parte importante continua sem receber, e nenhum veículo confirmou quantas pessoas ainda aguardam.

Para o leitor, o que importa é o que isso muda no jogo. A equipe mínima que ficou cuidava dos bugs do pós-lançamento, e o estúdio diz que o retorno é parte do suporte contínuo a Zero Company. Não há, porém, lista de correções, nem anúncio de conteúdo novo ou de data para o que vem a seguir, e o CEO apenas prometeu mais informações em breve.

A GamesRadar nota que também não está claro se alguém será demitido no fim do processo de retorno. Foertsch diz apenas que o objetivo é trazer de volta o maior número possível e que o estúdio compartilhará mais novidades sobre a empresa e sobre o jogo em breve.

O jogo foi bem

Foi justamente o sucesso que tornou a situação difícil de engolir. A IGN deu 9 de 10 e elogiou a combinação de tática com o visual cinematográfico dos jogos Star Wars Jedi, além de personagens que não usam a Força e de um vilão fora do padrão. A GamesRadar cita nota 84 no Metacritic e avaliações "muito positivas" no Steam.

Pela VGC, o jogo foi o sexto melhor do PC em agosto nos seis principais mercados ocidentais, segundo a Newzoo, medindo por faturamento. A matéria reproduz o desabafo de um ex-funcionário da empresa, que descreveu como comum ver um jogo no topo do Steam enquanto a equipe procura emprego e fica sem participação nos lucros.

O caso também mostra como o risco de caixa pode aparecer mesmo em lançamentos bem avaliados. Desenvolvedoras menores dependem do dinheiro que entra nas primeiras semanas, e um atraso nos repasses ou uma mudança de contrato basta para provocar cortes. A Bit Reactor não detalhou quais foram os acontecimentos inesperados citados pelo CEO.

O que fica em aberto

  • Quantas pessoas voltaram e quantas continuam sem salário.
  • Se haverá demissões ao fim do processo.
  • O que o estúdio planeja para o jogo, que ganhará novidades "em breve", segundo o CEO.
  • Se o sucesso nas vendas resolve o problema de caixa que levou aos afastamentos.

A Bit Reactor não deu entrevistas além do comunicado, e a Lucasfilm Games, que publica o jogo, não é citada nas reportagens consultadas.