Ken Kutaragi, conhecido como o pai do PlayStation, disse que entende a revolta de parte dos jogadores com o fim dos discos, mas acha que a mudança faz sentido do ponto de vista econômico. A declaração foi dada ao VGC e repercutida pelo Kotaku e pelo GamesRadar.
O que Kutaragi disse
Segundo o GamesRadar, a conversa aconteceu durante o evento Game Republic New Horizons. Kutaragi afirmou que os discos físicos viraram uma metáfora de possuir os jogos, e que ele entende bem essa mentalidade. Em seguida, comparou o caso com os celulares: ninguém acha que a mídia física é necessária num aparelho conectado à rede, porque as pessoas sentem que vão manter o conteúdo delas.
Para ele, a reação de quem se incomoda tem um componente de mentalidade. Ele disse que entende por que algumas pessoas estão chateadas, mas que não considera economicamente razoável manter os discos, e completou que talvez seja uma questão de mentalidade.
A decisão da Sony
O contexto é a decisão da Sony de acabar com os jogos em disco em 2028, segundo o Kotaku. O GamesRadar fala em fim da produção de discos para jogos nesse ano e diz que a medida provocou uma enorme reação negativa, principalmente por causa do que um futuro totalmente digital significa para direitos e para a posse das bibliotecas de jogos.
O Kotaku lista dois tipos de resistência. Uma é afetiva: tirar discos da caixa e vê-los girar no console faz parte da memória de muita gente com os jogos do fim dos anos 1990 e dos anos 2000. A outra é prática, ligada a propriedade e controle, já que num futuro só digital a Sony pode fazer o que quiser com a sua cópia, não importa quanto você pagou. O site também cita um congressista americano que propõe uma lei para regular a venda de jogos digitais e garantir que os jogadores sejam donos do que compram.
Um ex-chefe falando de fora
Kutaragi deixou a Sony em 2007 e, portanto, não tem informação direta sobre os planos da empresa, como lembra o GamesRadar. Ele mesmo disse que não é mais o CEO do PlayStation, mas que ainda compartilha alguns pontos de vista com quem está lá.
Na avaliação dele, a Sony Interactive Entertainment tem hoje muita gente que veio de fora, de empresas como a Gaikai ou de companhias de streaming. Por isso, disse, é compreensível que o uso da conectividade de rede leve a enxergar o PlayStation não só como um console, mas como um terminal de conteúdo. Ele reconheceu que isso gerou atrito com os entusiastas dos jogos.
O GamesRadar comenta que atrito é pouco para descrever a reação do público. O Kotaku acrescenta que Kutaragi vê a mudança de hardware para nuvem como inevitável, principalmente com a crise no custo dos componentes.
O que a Sony fez até agora
De acordo com o GamesRadar, a Sony ainda não anunciou nenhum plano para reverter a decisão, nem divulgou mais detalhes ou garantias sobre como os jogos digitais serão tratados no futuro. O site descreve a situação como um incêndio de relações públicas para a empresa, e diz que alguns especialistas acreditam que a conversa dentro da Sony pode estar evoluindo, sem confirmação.
- Quem fala: Ken Kutaragi, que deixou a Sony em 2007;
- Onde falou: entrevista ao VGC, no evento Game Republic New Horizons;
- O argumento: discos viraram símbolo de posse, mas manter essa mídia não seria economicamente razoável;
- O que falta: um posicionamento da Sony sobre posse e licenças de jogos digitais.
Por que importa para quem joga no Brasil
A discussão mexe com uma dúvida comum: o que acontece com a sua biblioteca num futuro só digital. Nenhuma das fontes trata de preços ou da situação no Brasil, e a Pixelzada não vai especular sobre isso. Se a Sony se pronunciar sobre posse, licenças ou os discos de 2028, esta matéria será atualizada.


