O Decomp.dev, um dos maiores sites dedicados a projetos de decompilação de jogos, vai encerrar a atividade principal. O motivo, segundo o criador do site, é o crescimento do uso de inteligência artificial nesse tipo de projeto, que, nas palavras dele, quebrou o lado comunitário da decompilação. A notícia foi divulgada pelo Kotaku e pelo Video Games Chronicle com base no aviso publicado na página inicial do próprio site.

O que é decompilação de jogos

Decompilar um jogo, resumindo, é desmontar e remontar o código dele. Segundo o Video Games Chronicle, fãs desenvolvedores vêm fazendo isso nos últimos anos: pegam um jogo existente e o transformam, por engenharia reversa, em código legível. O Kotaku explica que, quando a estrutura é descoberta, a comunidade pode criar mods, portes e patches.

O VGC diz que esses projetos são tecnicamente legais, porque os desenvolvedores não usam conteúdo vazado nem arquivos protegidos, e o jogador precisa fornecer a própria ROM obtida de forma legal. Com a base pronta, é possível melhorar os jogos com taxas de quadros maiores, telas widescreen e ultrawide, controles com dois analógicos e outras modificações feitas pela comunidade.

Por que o site vai fechar

O Decomp.dev indexava decompilações e acompanhava os projetos em andamento. Segundo o VGC, o criador do site, que usa o nome @encounter, anunciou que o serviço será encerrado aos poucos. No aviso, ele afirma que a IA não é o problema em si, e que, usada com orientação, revisão e esforço humano, pode acelerar bastante o processo. O que mudou, de acordo com o Kotaku e o VGC, é que o lado comunitário foi prejudicado.

O aviso cita contribuições feitas sem cuidado, os chamados drive-by, de quem não se preocupou em verificar se o trabalho era bom. O VGC acrescenta que algumas pessoas pegavam projetos de decompilação ainda em andamento, copiavam o código em forks e os terminavam com IA, sem contribuir de verdade com a equipe original. O autor chama esses forks de hostis.

  • projetos abertos foram usados por pessoas que abusaram deles, segundo o aviso;
  • qualquer um com uma assinatura de IA consegue fazer um porte básico, que funciona, mas não permite recursos novos;
  • muita gente chama de decompilação algo que, na prática, é só um porte para PC.

A crítica aos portes rápidos e ao placar

Segundo o aviso, citado pelo VGC, portar um jogo é relativamente fácil perto da decompilação, principalmente com as ferramentas criadas por pessoas talentosas. Enquanto membros da comunidade se dedicam a decompilar um jogo, oportunistas correm para lançar um porte meia-boca. O criador também diz que uma das razões de decompilar jogos é aprender e pesquisar como eles foram feitos, algo que se perde quando o foco passa a ser só o porte.

O site também tinha barras de progresso que mostravam o quanto cada projeto já avançou. A ideia original era motivar os desenvolvedores, mas, de acordo com o criador, virou uma tabela de pontuação para quem corre para publicar portes feitos com IA. Ele diz acreditar que um índice público e um ranking passaram a causar mais mal do que bem.

Um dilema maior para a comunidade

O Kotaku vê o caso como mais um exemplo do choque entre quem curte esses hobbies pelo convívio e quem busca a experiência mais imediata possível. O Kotaku também menciona uma reportagem do 404 Media, segundo a qual um conjunto de ferramentas de IA de abril foi feito para copiar outros programas, dentro de estruturas legais duvidosas.

Por enquanto, a comunidade de decompilação continua dividida sobre o uso de IA nos projetos: para uns, ela torna tudo mais rápido, e para outros, tira o sentido do trabalho coletivo. Cada projeto funciona de um jeito, e alguns não querem usar IA por motivos legais ou éticos, enquanto outros aceitam, mas não querem contribuições de quem não se esforçou, segundo o aviso.

A Pixelzada vai acompanhar se outros sites e projetos de decompilação anunciarem mudanças parecidas. As informações acima vêm do aviso do Decomp.dev, segundo o Kotaku e o Video Games Chronicle.